Avaliação de Empresas

avaliacaoSegundo Cornell (1993), o problema maior dos modelos financeiros de avaliação de empresas é que, apesar de toda sua complexidade matemática, esses modelos são, no máximo, aproximações rudimentáres da realidade.

Conhecer o valor de uma empresa é uma ferramenta fundamental para qualquer gestor. Existem inúmeras ópticas de avaliação de empresas, donde se destacam a óptica patrimonial, a óptica do mercado, a óptica financeira ou do rendimento (ou Discounted Cash Flow) e a óptica mista ou económica.

É importante ter em consideração alguns conceitos de valor da empresa: Enterprise Value (EV) ou Valor do Negócio ou Valor de Rendimento da Exploração: é o valor dos ativos afectos à exploração, mediante a capacidade de gerar lucro, isto é, cash-flows futuros. Firm Value (FV) ou Valor da Empresa: Firm Value=Enterprise Value (EV)+Valor dos elementos extra exploração Equity Value (EQV) ou Valor dos Capitais Próprios: é o valor da empresa para os seus sócios ou accionistas.

 

Valor de cada acção:        

Equity Value / Número de Ações

 

Valor de uma Quota:

Equity Value ×Percentagem (%)de Capital detido pelos Sócios

 

Assim a sequência do cálculo da avaliação de empresas consiste em calcular o Valor do Negócio (Enterprise Value) adicionar o valor dos activos extra exploração, e obtemos o Valor da Empresa (Firm Value). Se quisermos obter o Valor dos Capitais Próprios só temos de subtrair, ao Firm Value, o valor do Passivo de Financiamento (são as dividas relacionadas com a obtenção de recursos financeiros, são normalmente de médio ou longo prazo – exemplo: dívidas a entidades bancárias, empréstimos obrigacionistas).

Nas empresas cotadas podemos utilizar este mesmo método mas inversamente. Consiste em somar à Capitalização Bolsista (Valor de Cotação das acções multiplicado pelo número de acções) o Passivo de Financiamento, obtendo assim o Firm Value. Se subtrairmos o valor dos elementos extra-exploração ficamos com o valor de Mercado do Negócio (Enterprise Value).

O Valor da Empresa, segundo a óptica patrimonial, é a riqueza investida pelos sócios/accionistas, e acumulada até à data da avaliação. Acaba por ser o valor que se encontra no balanço da empresa, o que torna esta óptica pouco credível e insuficiente.

A óptica de mercado tem como conceito central o de Capitalização Bolsista, só se aplica a empresas cotadas e consiste em multiplicar a cotação das acções pelo seu número total. Nas empresas não cotadas pode-se utilizar o Método dos Múltiplos, ou comparativo, em que se comparam os indicadores da empresa com a respectiva média sectorial, representativa do universo em que se insere a empresa.

Permite às empresas obterem uma aproximação de qual seria a cotação provável das suas acções (se fossem introduzidas em bolsa), tendo em atenção que a sua liquidez é menor.

O método dos Discounted Cash-Flows, ou a óptica financeira ou do rendimento, é o valor actual dos cash-flows futuros (a taxa de actualização utilizada é a WACC – Weight Average Cost of Capital) . Importante nota o conceito de valor do negócio, que consiste no valor actual dos valores de exploração futuros (FCFF – Free Cash-Flow to the Firm). As empresas recomendadas normalmente são aquelas em que a óptica financeira apresenta valores superiores à óptica de mercado.

Por fim a óptica mista ou económica, o valor da empresa é dado pela soma do valor patrimonial (visto anteriormente) e do goodwill (o valor imaterial da empresa, que reflecte a capacidade da empresa de gerar lucros anormais, igualmente chamadas “Rendas Económicas” relativas a vantagens comparativas da empresa). Neste sentido importa salientar o conceito de EVA® – Economic Value Added (Valor Económico Acrescentado) que é a diferença entre o lucro normal (ou Encargo de Capital, que é o Activo Económico Inicial (Capital Investido no Início) – ou final do exercício anterior – multiplicado pela taxa WACC do próprio exercício) e o lucro realmente obtido, dizendo qual o lucro acima do normal exigível, e o conceito de MVA® – Market Value Added (Valor de Mercado Acrescentado) que não é mais do que a actualização dos EVA® futuros, que corresponde ao conceito de Goodwill ou de VAL (Valor Actual Liquido) na análise de investimento. Numa empresa cotada em bolsa o MVA® será a diferença entre o valor segundo o mercado e o capital investido (Invested Capital ou Activo Económico que é o Capital Fixo Liquido de Exploração somado das necessidades de fundo maneio (NFM = Clientes+Existências – Fornecedores).

Assim sendo o cálculo do EVA® do ano é calculado subtraindo ao Resultado Operativo do ano, liquido de imposto, o Lucro Normal:

(RO x (1-t)) – (Capital Investido no Início x WACC do ano)

 

Podemos igualmente calcular a Margem de Criação de EVA® (EVA® Spread). É a Rentabilidade do Capital Investido (ROIC – Return on Invested Capital) subtraída do WACC do ano:

(RO x (1-t))  /  Capital Investido no Início

 

Assim sendo podemos calcular o EVA® multiplicando o Capital Investido no Início pelo EVA® Spread.

 

Outros Métodos também utilizados:

1 – Método do Valor Contábil Ajustado.

2 – Método do Valor de Mercado das Dívidas e das Ações.

3 – Método da comaração Direta.

4 – Método do Fluxo de Caixa Descontado.

 

Existem vários métodos de avaliação de empresas utilizados na prática pelos profissionais  da área. É importante ter em atenção que independentemente do modelo utilizado, a avaliação de empresas é um exercício falível, de qualquer forma é crucial o uso de várias ópticas para se ter um conhecimento mais aprofundado da empresa e das suas potencialidades.